domingo, 23 de novembro de 2014

A família Esquível de Estoi, Algarve (Ago 2021)



  A família Esquível de Estoi, Algarve

 Um breve estudo


O apelido da nossa família vem de Estoi [1], desde, pelo menos, o final do século XVII e isto de acordo com os arquivos da paróquia cujos assentos recuam até essas datas. O Algarve acabava de ser atingido pela Peste Africana, 1645-1646, e pela Peste Negra, 1649-1650, o que fez com que o Algarve perdesse cerca de 20 a 30 porcento da sua população. Bom! Nós descendemos daqueles que sobreviveram.

Há várias teorias do porquê em Estoi. Alguns referem uma ascendência secreta judia, conversos ou cristãos-novos que se veio esconder das cidades espanholas do sul, como Sevilha e Málaga, perseguições durante o início da expansão marítima; outros dizem que esta gente sempre viveu em Estoi e que recebeu o seu apelido de uma família que escolheu alguns dos seus elementos e lhes deu o apelido Esquível, etc. Levando isto em consideração há que mencionar o facto que em Portugal existem outras famílias com este mesmo apelido, no Alentejo, uma de Barrancos, outra de Évora, uma outra em Beja e ainda outra de Mourão. Alguns membros da família Esquível de Barrancos destacaram-se nos anais da história como Bernardo Ramires Esquível, I.º Barão da Arruda (17Dez1801) e posteriormente I.º Visconde de Estremoz (12Out1810), membro do Conselho de Guerra e membro do almirantado português com patente de oficial superior da marinha portuguesa. Da família Esquível de Mourão podemos destacar a conhecidíssima fotógrafa Ana Esquível, socialite com vários livros publicados da sua especialidade.

Ainda assim, entre as pessoas com apelido Esquível, há em Évora referências a Joaquim Sebastião Limpo Esquível (1836-1889), músico e sócio do Círculo Eborense e co-fundador do Teatro Garcia de Resende; em Beja ao Mestre Miguel Jácome Esquível, pároco do Salvador e impulsionador do movimento que elegeu S. Sisenando como padroeiro da cidade; e ainda outras referências a norte do Tejo, ligados à família dos Viscondes de Sarzedo (os quais tem uma avó - Ana Esquível, sabe-se lá donde...) e até mesmo, noutros pontos do Algarve, segundo apontou Miguel Teles Moniz Côrte-Real a Luís Freire de Andrade, autor deste parágrafo, quando certa vez lhe perguntou se conhecia a família Esquível, de Estói.


Mas, infelizmente, não existe/desconhece-se qualquer ligação entre estas famílias e a nossa uma vez que não são as nossas linhas genealógicas. Sendo assim, voltemos às nossas origens.


Estoi é uma paróquia portuguesa do Algarve, a província mais a sul do continente português. Hoje em dia, a freguesia foi extinta e a sua área foi reunida com a da Conceição tomando o nome, algo pomposo de União das Freguesias de Conceição e Estoi. É muitas vezes referida como lugar de Estoi ou aldeia, tendo uma área de 46,55 km2 e uma população de 3.652 almas (referente a 2011). O nome da paróquia, que antigamente tinha a grafia de Estói, foi mudada em 2004 para Estoi. A actividade principal da população é a agrícola com a produção de vegetais e verduras e frutos como as famosas laranjas doces algarvias, figos, amêndoas, alfarroba e outras especialidades. Ruínas famosas a visitar são as de Milreu, uma grande estrutura agrícola dos tempos romanos que no séc. III foi convertida numa villa luxuosa, no séc. IV transformado num santuário e posteriormente numa pequena igreja paleocristã; e o Palácio de Estoi em estilo rococó. A típica povoação do Barrocal algarvio é atravessada pela ribeira do Alcaide que desagua no mar.

     
    

A igreja de Estoi foi paróquia de muitos lugares ou sítios das redondezas com nomes caprichosos como Alcaria Cova, Arjona, Serro do Manuel Viegas, Relva, Sambada, Bemposta, Lagos, Azinhal, Amendoeira, Fialho, Bordeira, Serro do Guelhim, Porto do Carro, Vale do Mouro entre outras e foi o centro de todas as principais actividades religiosas e sociais da região com o nome de lugar de Estoi ou aldeia de Estoi. Todos aqueles que nasciam, casavam ou morriam tinham que ser sujeitos a registo escrito efectuado pelas autoridades religiosas da paróquia que para isso dispunham de cura, pároco, ajudante, coadjutor, encomendados, visitantes, sacristão, e uma panóplia de outros religiosos ocasionais ou de passagem. Toda a vida social era enquadrada pela actividade religiosa que começava com o baptismo de todas as almas mesmo aquelas que não chegavam a receber nome e que são citadas simplesmente como recém-nascidas, e que salvo razão maior eram baptizadas até seis dias depois de efectivamente terem nascido conforme determinação da igreja. Todas essas almas, mesmo os expostos ou enjeitados que frequentemente eram entregues nas rodas dos conventos ou achados abandonados por todos os lugares eram entregues e dados a criar pela Câmara Municipal de Faro a diferentes mulheres casadas ou viúvas, neste caso, pela comarca de Faro. Algumas vezes as crianças eram baptizadas imediatamente depois de nascer, quando em perigo ou risco de vida por qualquer pessoa que já tivesse sacramentos ou mesmo pela parteira, o que depois era confirmado e referido no competente assento de baptismo.


Para quem não está familiarizado com os assentos, há que referir que alguns párocos ou curas que faziam normalmente o registo do acto faziam-no durante toda a vigência da sua ligação à paróquia. Assim, perto do fim da sua vida a caligrafia já não é o que era, a necessidade de levar a escrito a sempre repetitiva informação, o esquecimento e confusão de alguns levam a que cada livro de assentos e a respectiva informação em cada assento não seja consistente e dependa exclusivamente do dito pároco. Para agravar ainda mais a situação, algumas vezes a qualidade do papel, a qualidade do aparo e por fim a maior ou menor concentração da tinta usada para escrevinhar podem comprometer a correta leitura dos assentos ocasionando situações recorrentes e repetitivas de tinta transpassada ou ainda, páginas manchadas quer seja pela água benta ocasional quer pela água da chuva ou outra causa menos aceitável. Para finalizar há ainda o eventual desleixo e desconhecimento no que se refere aos parentescos e gerações de familiares que devem ser incluídos nos assentos. O que nunca falta é o nome da paróquia e o respectivo orago, o nome do religioso que efectuou a cerimónia e quem lhe pôs os santos óleos nas alvas testas dos candidatos a cristãos.

Estoi, terra interior, dista 16km de Faro, a capital do distrito. Tem uma única igreja paroquial que tem como orago São Martinho que celebra a sua festa a 13 de Novembro cada ano. A quase totalidade dos membros da família nasceram na vila propriamente dita referida nos assentos como sítio da Igreja. Quase todos os casamentos foram aqui realizados com a excepção daqueles que são feitos na paróquia de onde a noiva é natural.

  
Dos locais onde viveram os Esquível pouco sabemos além das referências feitas às artérias onde viviam como no caso de Joaquim de Sousa Esquível e os filhos do primeiro casamento com Maria do Carmo que viveram na Rua Nova (antiga Rua do Pé da Cruz e que também teve o nome de Rua Miguel Bombarda), e lá faleceram.

Já a casa onde viveu o seu filho António Esquível David (n.º14, p. 27 do documento) sabemos qual é. Fica na apropriadamente nomeada Travessa do Esquível. Referem-se ao dito Coronel que foi uma pessoa excepcional não só em Estoi como também noutras jurisdições.


     Localizada junto à Rua do Pé da Cruz, este arruamento é ainda um dos que na aldeia mantêm ainda actualmente um carácter misto de urbano e rural onde as habitações convivem com pequenos espaços agrícolas, devendo o seu nome, a nela ter vivido no século XIX e primeira metade do XX, numa casa ainda existente e que mantém todas as suas características antigas, a família Esquível, tendo sido uma forma de o Município homenagear o Coronel António David Esquível que chegou a ser o governador militar do Algarve depois do golpe militar de 1926 e seus filhos, que se distinguiram em vários ramos de actividade, da medicina (Dr. João Esquível- médico em Faro, nomeadamente no Liceu João de Deus), ao ensino (Dr. António – Reitor do Liceu de Lourenço Marques) e às forças armadas (General José Esquível). A travessa inclui no seu espaço um beco habitacional, dotado de um arco sobreposto de habitação. Confronta a norte com frente urbana edificada e frente rural, a sul com a Travessa do Mau Foro e frente urbana edificada, a nascente com a Rua dos Cavaleiros e a poente com a Rua do Pé da Cruz [2].


Faltou nesta citação a referência ao Dr. Teófilo Esquível, benjamim, médico em Braga e co-fundador da equipe de futebol Académica de Coimbra. Fica aqui a corrigenda.

No fim da sua vida, e por decisão dos filhos, ficou a viver em Faro numa casa no Alto da Caganita. Sobre ele e seus filhos falaremos adiante.

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[1] A grafia anterior era Estói, mas a lendo-se com o “o” fechado, não aberto. [2] Designação toponímica, Junta de Freguesia de Estoi.
 

A sequência dos temas a apresentar vai ser por ordem cronológica. Vejam os esquemas para melhor compreensão.


     Os primeiros com apelido Esquível (início Séc. XVIII)



Considerações iniciais sobre a dificuldade na investigação.

Não quero deixar de fazer referência ao facto de que, relativamente aos assentos dos membros desta família, não só existe uma dualidade de critérios usados pelos diferentes religiosos que fazem os respectivos assentos como o mesmo religioso uma vez o usa no apelido do pai e da outra na do avô omitindo uns e/ou noutros e por fim omitindo em todos os apelidos. Digo isto porque, de uma maneira geral, são todos referidos com o apelido SOUSA (com a grafia Souza) mas nem todos os assentos referem o ESQUÍVEL. Só é possível encadear a investigação uma vez que todas as restantes combinações de apelidos se verificam mas que podiam passar despercebidos caso não houvesse essa atenção especial.

Há ainda a acrescentar mais umas achas à fogueira das confusões. Durante 120 anos, entre mil setecentos e picos e os anos vinte do séc. XX as escolhas para os nomes próprios variam pouco: Manuel, José e João. E nenhum deles “herda” o apelido da mãe mas sim mantém o Souza Esquível. Há mais do que um com o mesmo nome completo mas com diferente filiação como se irá ver.

Não só os livros de assentos de batismo estão incompletos faltando-lhe algumas páginas na sequência como há intervalos entre os livros como por exemplo no livro que começa em 1711 e vai até 1726, o seguinte vai de 1727 a 1735 e o seguinte de 1739 a 1749. Mais drástico e triste é o livro que segue, 1749-1755, com cerca de 300 páginas e 600 assentos dos quais a metade não se consegue ler por deterioração da parte superior das páginas onde o pároco anotou o nome e filiação das criaturas e que se perdeu para sempre..... frustração!


A primeira pessoa de que temos notícia nos assentos paroquiais é João de Sousa Esquível filho de António Pires e de Joana Gonçalves. Não há referência à razão pela qual os pais e o filho têm apelidos diferentes, mas naquela época não era incomum.

Casou duas vezes a primeira com Maria Rodrigues a 12 de Agosto de 1705[1] com um único filho de que tenho notícia, Manuel de Sousa Esquível com quem seguimos mais adiante e o seu segundo matrimónio com Maria dos Santos, nascida em Faro e viúva de Sebastião Peres. Este segundo casamento também teve lugar em Estoi a 10 de Março de 1717 (C-3-? imagem 28). Maria dos Santos faleceu antes de 1744. Deste segundo casamento houve dois filhos José de Sousa Esquível e João de Sousa Esquível, ambos casaram (o João duas vezes) e uma filha Josefa Maria de Sousa, todos com descendência.

Este José de Sousa Esquível nasceu a 7 de Março de 1718 (B-7-83v84 imgem 86) e baptizado a 14 do mesmo mês. Casou a 9 de Fevereiro de 1744 com uma outra Maria dos Santos e foram pais, de pelo menos, três crianças: de uma primeira Maria nascida a 19 de Junho de 1754, uma segunda Maria nascida a 15 de Abril de 1756 e um João de Souza Esquível que casou com Laurência Bárbara[2] e do qual sabemos da existência pelo nascimento de sua filha Maria Bárbara, nascida a 19 de Setembro de 1790[3], tudo em Estoi, e casada a 7 de Junho de 1815[4] na Conceição, Faro, com Cipriano José, viúvo de uma Ana Maria. Laurência Bárbara vem referida como filha de pais incógnitos no casamento da filha…… Ora, num assento datado de 1795, é feita referência a um Manuel filho de uma Laurência Bárbara, também filha de pais incógnitos mas casada com um homem diferente, Joaquim José. Laurência Bárbara não é uma combinação comum de nomes próprios e estas combinações eram usadas para diferenciar os expostos uns dos outros pois não tinham referências de progenitores. Presumivelmente estas Laurências devem ser a mesma pessoa!?!
Relativamente a este José ainda há que referir um possível neto João, nascido a 30 de Dezembro de 1795 filho da segunda Maria. Ora o assento reza: João, filho de Manuel Rodrigues Mendes e de sua mulher Maria da Conceição da Arjona, neto pela parte paterna de Manuel Rodrigues Mendes e de Maria Piires e pela materna de José de Sousa e de sua mulher Maria da Conceição do sítio da Arjona. O nome da avó materna não coincide mas as datas são possíveis. Será neto? Há que averiguar.

O seu irmão, João de Sousa Esquível, nasceu a 25 de Fevereiro de 1721 (B-7-127v Img 130) e baptizado a 2 de Março e casou duas vezes. Viveu no sítio de Arjona, Estoi. Da primeira com Catarina de Sousa[5] houve um João nascido a 28 de Novembro de 1758[6], um Manuel nascido a 18 de Outubro de 1761[7] e baptizado a 25 do mesmo mês e uma Maria nascida a 7 de Setembro de 1766 e baptizada a 14 do mesmo mês[8]. Do segundo casamento com Iria dos Santos de Estoi houve um António de Sousa casado com Maria da Encarnação a 5 de Novembro de 1806[9] e um João.

É referida uma Maria nascida a 25de Outubro de 1800[10] e baptizada a 1 de Novembro do mesmo ano, filha de Manuel de Sousa e Josefa Maria, neta paterna de João de Sousa e Iria dos Santos. (veja-se a "coincidência" do assento estar na mesma página do de Ana do Carmo filha de Joaquim de Sousa Esquível.)

João de Sousa Esquível e Maria dos Santos ainda tiveram mais uma filha a quem baptizaram com o nome de Josefa Maria de Sousa que casou a 7 de Maio de 1767 com Francisco José[11] e faleceu na freguesia da Conceição de Faro, Caliços. Foram pais de, pelo menos, uma filha Ana Joaquina, nascida em Faro, e que casou a 28 de Outubro de 1812[12] na freguesia da Conceição, Faro, com José Martins[13], filho de António Martins Ramos e de Maria da Conceição (Sousa Nunes Faria)

Esta linha não foi mais explorada em virtude de todos descendermos do filho do primeiro casamento, Manuel de Sousa Esquível e apesar de aparecerem bastantes pessoas nos assentos com o apelido Sousa, à parte dos mencionados de seguida, mais nenhum aparece com o Esquível.


[1] Faro Estoi C-1705-112v imagem 115. Assento com tinta transpassada. Lê-se pessimamente, mal dá para “adivinhar” o que está escrito. O padre que os casou assina como Ajudador Manuel de Sousa.
[2] No nascimento de sua filha o Laurência Bárbara está parcialmente truncado e é acrescentada a palavra Laurência a seguir a Bárbara, mas com outra caligrafia. [3] Estoi, B-1790-6v imagem 8. E foi baptizada a 6 de Outubro. Foram padrinhos Francisco de Brito e sua mulher Maria Viegas da Alcaria Cova. [4] Faro, Conceição C-2-55v imagem 60. No casamento com Maria Bárbara, solteira e ele viúvo de Ana Maria. Sendo testemunhas José de Sousa Teixeira e seu irmão António Gago Pereira Teixeira, ambos casados e moradores em Estoi. [5] Filha de Manuel de Sousa e Leonor de Sousa e neta paterna de Manuel de Sousa e Maria da Conceição. [6] Estoi B-11-92 caixa 94. Baptizado a 5 de Dezembro do mesmo ano. Foram padrinhos João Gregório de Sousa, do Milreu, e sua ? Rosário. [7] Estoi B-12-15. Baptizado aos 25 do mesmo mês e ano. Foram padrinhos José Pires do Vale da Bora e tocou com a coroa de Nossa Senhora do Rosário o padre Manuel Coelho. [8] Estoi B12-135. Foram padrinhos o reverendo Padre Manuel Pires e tocou com a coroa de Nossa Senhora do Rosário o reverendo Padre Manuel Leal. [9] Neste casamento com Maria da Encarnação ele é referido sem o apelido Esquível, o pai com e o avô João também sem o apelido Esquível. Pode ser que, devido a potenciais confusões, tenham optado por fazê-lo. O pai de António de Sousa era filho de João de Sousa Esquível e de sua 2ª mulher Iria dos Santos. C-6-52v.53 imagem 56. [10] Faro, Estoi B-1800-176v imagem 183. E materna de Manuel Mendes e Maria Mendes, do sítio da Ladeira, São Brás de Alportel. Foram padrinhos Manuel Mendes Teixeira e sua mulher Maria Joaquina do sítio de Guelhim. [11] Filho de António Fernandes e de Maria Viegas. R.P. - (Pag. s/n.º) - Testemunhas no casamento com Josefa Maria de Sousa, sendo ambos solteiros: José Pires e Domingos Viegas Nobre. [12] R.P. - (Pag. 37) - Testemunhas no casamento com Ana Joaquina, solteira: o Capitão António. Gonçalves Reis, casado com Maria da Conceição e José Nunes Gatto, de Estoi. [13] Cujos irmão foram Manuel, Francisco e Joaquim todos com o apelido “Martins do Serro”.


A descendência de 
                Manuel de Sousa Esquível
   

Pela análise dos assentos de baptismo podemos concluir que Manuel de Sousa Esquível, filho de João de Souza Esquível e Maria Rodrigues, nasceu a 14 de Março de 1707[1] teve uma vida bastante longa e durante a qual casou três vezes. Não descobri descendência do terceiro casamento mas houve, confirmada, dos dois primeiros.
Há que ter em conta que, em Estoi, só a partir de Janeiro e 1744 é que, além dos pais do neófito, começam a estar incluídos nos assentos de batismo os nomes dos avós paternos e maternos. Assim melhoram as hipóteses de confirmação das filiações. Até essa data é tudo muito mais difuso...... Continuando!


Há uma razão para todos estes casamentos. A falta de condições sanitárias e de saúde e uma baixa taxa de sobrevivência dos recém-nascidos ditava que a expectativa de vida não ultrapassava os 40 anos de idade na primeira metade do séc. XIX. Os nascimentos em casa e a falta de cuidados básicos de higiene implicavam infecções puerperais e quaisquer outras disfunções podiam rapidamente significar a morte de, algumas vezes ambos, mãe e filho. Os viúvos e viúvas necessitavam de voltar a casar para completar uma família organicamente funcional na qual o pai e a mãe tinham necessariamente que coexistir para uma família operacional e para o cuidado da descendência.

É quase certo que Manuel de Sousa Esquível casou três vezes, uma primeira vez com Clemência dos Santos uma segunda com Clemencia da Conceição e numa terceira vez com Joana do Carmo a 22 de Janeiro de 1817[2]. Deste terceiro casamento não descobri descendência. Ora é com as duas primeiras mulheres que pode haver alguma confusão com o apelido da nubente.
Penso que o problema está no facto de ambas partilharem o primeiro nome ”Clemência”.
A primeira teve um filho José de Sousa Esquível em cujo assento de casamento aparece a mãe como Clemência da Conceição e não dos Santos como deveria ser. Este José vai ser pai de três crianças que nasceram entre 1757 e 1761.
Ora há um assento de um Manuel (B-1761-6v imagem 9) filho dos mesmos dois mas nascido a 6 de Abril de 1761, no mesmo ano dos “pseudo-sobrinhos”. Isto só pode ser possível se o casamento com Clemência da Conceição for o segundo casamento e o José ser do primeiro com Clemência dos Santos. Infelizmente ainda não encontrei o assento de baptismo de José nem o do primeiro casamento de Manuel de Sousa Esquível com Clemência dos Santos que liminarmente cortariam cerce o problema.
Há registado o nascimento de um Elias, filho de Manuel de Sousa e de Clemência da Conceição, do lugar de Estoi, neto por parte paterna de João de Sousa Esquível e sua mulher Maria Rodrigues deste mesmo lugar e pela parte paterna de António Rodrigues Potra e de sua mulher Josefa de Jesus, todos do lugar de Estoi. Nasceu a 17 de Julho de 1757[3] baptizado aos 22 do dito mês e ano nesta igreja.
Há ainda a acrescentar mais umas achas à fogueira das confusões. Durante 120 anos, entre mil setecentos e picos e os anos vinte do séc. XX as escolhas para os nomes próprios variam pouco: Manuel, José e João. E nenhum deles “herda” o apelido da mãe mas sim mantém o Souza Esquível. Há mais do que um com o mesmo nome completo mas com diferente filiação como se irá ver. E ainda, não só os livros de assentos de batismo estão incompletos faltando-lhe algumas páginas na sequência como há intervalos entre os livros como por exemplo no livro que começa em 1711 e vai até 1726, o seguinte vai de 1727 a 1735 e o seguinte de 1739 a 1749. Mais drástico e triste é o livro que segue, 1749-1755, com cerca de 300 páginas e 600 assentos dos quais a metade não se consegue ler por deterioração da parte superior das páginas onde o pároco anotou o nome e filiação das criaturas e que se perdeu para sempre..... frustração!


[1] Estoi B-1707-73v imagem 79. Foi baptizado a 21 de Abril do mesmo ano. [2] Estoi C-6-138/138v imagem 142. Há umas informações curiosas neste terceiro casamento. Assim o assento do casamento diz que Manuel de Sousa é viúvo de Clemência da Conceição e não de Clemência dos Santos. Por outro lado diz que ele é morador no sítio do Porto do Carro da freguesia de Estoi. Ora até ao momento tinham vivido todos mesmo no povo de Estoi e não nos lugares limítrofes. De qualquer modo nada impede que tivesse mudado de residência no 3.º casamento. Joana do Carmo era filha de José Lopes de Brito natural de Quelfes e de Maria Joaquina de Estoi, neta paterna de Lourenço Lopes e de Maria Viegas de Quelfes e neta materna de António Cardoso e Maria de Jesus de Estoi. Foram testemunhas deste casamento, os vizinhos do noivo em Porto do Carro, o capitão Gregório Palermo de Faria que assina e José Lopes de Brito, n. em Quelfes, que assina de cruz e pai de Joana do Carmo, solteira de Estoi. [3] Estoi B-1757-38,38v imagens 59 e 60. Foram padrinho José Rodrigues e Jacinta, ambos solteiros, filhos de Romão Rodrigues e Joana de Sousa.


A descendência de 

                 José de Sousa Esquível, “o moço” (fim do Séc. XVIII)
 

José de Sousa Esquível casa duas vezes. A primeira com Maria Correia natural de Moncarapacho, outra das aldeias algarvias, a 30 de Abril de 1760[1], no mesmo ano em que a rainha D. Maria I casou com o tio (!) D. Pedro de Bragança. Voltando ao assunto…. E uma segunda vez a 12 de Janeiro de 1792, em Moncarapacho com Maria de Jesus[2]. Deste último casamento teve pelo menos uma filha, Josefa Maria que veio a casar a 9 de Agosto de 1815[3] com Luís Dias, de Moncarapacho, filho de Domingos Dias e de Maria Angélica. Presumo que houve descendência de Luís Dias. José de Sousa Esquível, “o moço” vem a falecer na Murteira, Moncarapacho onde passou a residir depois do segundo casamento.

Voltemos ao primeiro casamento.


O primeiro filho, José, nasceu a 6 de Setembro de 1761[4] e do qual nada mais se soube. No entanto é neste assento que se obtém a confirmação da existência de Clemência dos Santos que vem referida como avó paterna do baptizado. Ainda há o dado curioso do pai da criança ser referido como José de Sousa Esquível, “o moço” o que pressupõe a existência de um outro com o cognome de “o velho” ou simplesmente José de Sousa Esquível. Este assento de baptismo ainda é reformado uma vez que o cura se esquece de mencionar, no corpo do texto, e anota na cota marginal, o nome correto da avó materna que é Constança Raposo casada com António Correia, ambos de Moncarapacho.

O segundo filho chamou-se Manuel de Sousa Esquível com o qual seguiremos adiante.

O terceiro chamou-se Joaquim e nasceu a 19 de Dezembro de 1766[5] mas, neste caso, o pai aparece com a alcunha de “o moço” mas já não com o apelido Esquível. Da mesma maneira o avô, Manuel de Sousa tampouco acrescenta o apelido Esquível apesar do cura oficiante ser o mesmo que do seu irmão José, o padre Manuel Madeira Nobre. Refira-se ainda que o padrinho Miguel de Brito é tio-avô do neófito uma vez que a sua mulher, Teresa de Jesus era irmã de Clemência da Conceição, já referida, e a madrinha Maria Teresa sua filha[6]. O padre ainda acrescenta mais uma informação às colectadas anteriormente uma vez que nomeia o avô materno como António Correia Collaço. Tudo o mais coincide. Nada mais se apurou sobre Joaquim para além de estar vivo e testemunhando o casamento do seu sobrinho Manuel de Sousa e assim como da sua sobrinha, irmã do anterior, Gertrudes Maria, mas, enquanto que no primeiro evento nada se diz de seu estado civil, no último já se faz referência ao facto de ser casado.
A quarta filha chamou-se Maria Correia, como a mãe, nascida cerca de 1769, falecida em Jordana, Moncarapacho, casa a 18 de Novembro de 1789[7] em Moncarapacho com Romão de Sousa, nascido a +/-1764, Jordana, Moncarapacho, baptizado e aí falecido. Tiveram pelo menos quatro filhos:

(Um quadro para ajudar a acompanhar a descendência de Maria Correia.)

     Manuel de Sousa, filho de Maria Correia e Romão de Sousa, nasceu 19 de Janeiro de 1791 (ver óbito), Jordana, Moncarapacho, foi baptizado e faleceu a 29 de Outubro de 1872[8], nesse mesmo lugar com a idade de 81 anos, casou a 11 de Janeiro de 1825[9], Moncarapacho, com Isabel de São José, nascida cerca 1800, Santa Catarina da Fonte do Bispo, baptizada, Santa Catarina da Fonte do Bispo, falecida a 30 de Maio de 1887, Jordana, Moncarapacho com a idade de possivelmente 87 anos. 
     Domingos de Sousa, nascido 3 de Fevereiro de 1798, Jordana, Moncarapacho, baptizado e falecido a 19 de Junho de 1876, (O-1876-112/112v n.º 44  Imagens 15 e 16 ) no mesmo lugar com a idade de 78 anos, casou em primeiras núpcias a 26 de Setembro de 1827[10], Moncarapacho, com Joaquina dos Reis (ou como era conhecida, Joaquina da Conceição), nascida a 2 de Novembro de 1806 (Moncarapacho B-1806), Moncarapacho, baptizada e falecida a 28 de Setembro de 1869, nesse lugar e freguesia (Moncarapacho O-1869-148, 148v n.º 96 imagens 33 e 34), e em segundas núpcias com Teresa de Jesus, em Quelfes, a 31 de Setembro de 1872 (Quelfes, C-1872-29v/30 n.º15, imagem 8). Deixou filhos maiores e menores. Do primeiro matrimónio houve (a) um Manuel Martinho Romão nascido em Moncarapacho em 1828, morador no Pereiro e que, com 27 anos, casou a 17 de Agosto de 1870 com Maria do Carmo (São Brás de Alportel, C-1870-8v nr.º 25  imagem 10) e que foram pais do seu 3.º filho, Manuel de Sousa nascido a 13 de Abril de 1876 (Moncarapacho B-1870-26v nr 58 imagem 28) e que casou com na Freguesia Santa Catarina da Fonte do Bispo em 9 de Outubro de 1910 com Maria da Conceição; ele falecido em 1964 e ela em 1951. Do segundo casamento foi primogénito outro Domingos de Sousa, nascido a 30 de Setembro de 1874 (Moncarapacho B-1874-78/78v n.º 173 imagens 79 e 80) e falecido a 21 de Outubro de 1878 (Moncarapacho O-1878-170v/171 n.º 110 imagens 37 e 38).
     Romão de Jesus de Sousa, nascido circa 1801, Jordana, Moncarapacho, baptizado e falecido a 12 de Outubro de 1841, nesse lugar e freguesia com a idade de 40 anos pouco mais ou menos. Casado a 6 de Fevereiro de 1826, Moncarapacho, com Maria do Rosário, , filha de Manuel Gonçalves e Maria Besoura, nascida cerca 1806, no sítio do Pereiro, Moncarapacho, baptizada, e falecida, nessa freguesia. Romão de Jesus e Maria do Rosário foram pais de, pelo menos, (a) um Manuel Romão, proprietário e agricultor que vivia no sítio da Foupana, Moncarapacho e que casou a 6 de Novembro de 1861 em Moncarapacho com Catarina da Graça, também de lá natural, e cuja sexta filha faleceu recém-nascida a 1 de Outubro de 1874; e cujo sétimo filho, José Romão, nasceu a 23 de Outubro de 1875 (Moncarapacho B-1875-59/59v n.º 145 imagens 60 e 61) e falecido a 19 de Janeiro de 1876 (Moncarapacho O-1876-103v/104 n.º 14 imagem 7); (b) um José Catarina Romão, proprietário e agricultor que vivia no sítio do Pereiro, casado com Maria da Conceição natural da freguesia de Santa Catarina da Fonte do Bispo, Tavira, onde ambos casaram a 10 de Setembro de 1856, e pais da nona filha, terceira do nome, Maria da Piedade nascida em Moncarapacho a 5 de Novembro de 1874 que, com Francisco José, casou a 27 de Abril de 1901 (Moncarapacho C-1901-129/129v n.º 16 imagem 12) falecendo ele em 1958 e ela em 1961. (c) um João de Jesus que casou a 19 de Novembro de 1862 com Maria dos Mártires, (Moncarapacho C-1862-18/18v n.º 33 imagens 19 e 20) ambos solteiros e naturais de Moncarapacho e deles foi quinta filha, terceira do nome, Maria da Incarnação nascida a 18 de  Março de 1875 (Moncarapacho B-1875-22 n.º 58 imagem 25) e falecida, presumivelmente solteira, em 1967 no mesmo lugar.
e por último…

   Gertrudes Maria, nascida circa 1806, Jordana, Moncarapacho, baptizada e falecida a 31 de Outubro de 1879 (O-1879-170 n.º 109 imagem 37), nesse lugar e freguesia com a idade de 74 anos. Casada a 27 de Setembro de 1826 [11], Moncarapacho, com José de Sousa Gago, nascido +/-1805, Jordana, Moncarapacho, baptizado, e falecido a 27 de Dezembro de 1883, nesse mesmo lugar e freguesia com a idade de 78 anos. Gertrudes Maria (ou Gertrudes Correia) e José de Sousa foram pais de, pelo menos, Joaquim de Sousa, que com 26 anos era jornaleiro, natural e morador em Moncarapacho e que casou a 5 de Novembro de 1873 com Mariana da Conceição, de Alportel, (Moncarapacho C-1873-23/23v n.º 70 imagens 25 e 26) e foram pais de um José de Sousa que nasceu a 24 de Setembro de 1874
Voltemos à linha principal com Manuel de Sousa Esquível.


[1] Moncarapacho C-1760- s/n. Foram testemunhas no casamento com Maria Correia, sendo ambos solteiros: Miguel de Brito, barbeiro e Manuel Rodrigues Baião. [2] Filha de Manuel Soares e Joana de Sousa. [3] Moncarapacho C-1815-134 Testemunhas no casamento com Josefa Maria, solteira: João Viegas Peleja, casado, de Quatrim e João Martins, casado, da Arroteia, na Luz de Tavira. [4] Baptizado a 13 do mesmo mês e ano. Estoi, B-1761-12 imagem 14, sendo o baptismo oficiado pelo prior João de Azevedo da Costa. Foi padrinho, por procuração, o reverendo arcediago da Sé de Faro João Dias Rosado e madrinha Leonor, solteira, filha de José Viegas, da Amendoeira. [5] Estoi B-1766-142v imagem 147. Baptizado a 26 do mesmo mês e ano, sendo seu padrinho Miguel de Brito e sua filha Maria Teresa. [6] Provavelmente nascida a 25 de Março de 1761. [7] Moncarapacho C-1789-174. Foram testemunhas no casamento com Maria Correia, solteira, Domingos Gonçalves Correia, da Jordana e António Martins, do Pé do Serro. [8] Moncarapacho O-1872-153 n.º 83 imagem 30. [9] Moncarapacho C-1825-8v. Foram testemunhas no casamento com Isabel de São José, viúva, Manuel de Sousa, casado e Joaquim de Sousa Esquível, filho do dito e moradores em Estoi. [10] Moncarapacho C-1827-24v. Foram testemunhas no casamento com Joaquina dos Reis, solteira, José da Graça, viúvo e Manuel Gonçalves, solteiro. [11] Moncarapacho C-1826-18v. Foram testemunhas no casamento com Gertrudes Maria, solteira. Francisco de Sousa Neto, casado, do Pé do Serro e Joaquim de Sousa Esquível, casado, de Estoi.  
 

A descendência de 
                Manuel de Sousa Esquível


Manuel de Sousa Esquível, filho de José de Sousa Esquível, “o moço”, nasceu a 22 de Dezembro de 1763[1]. O pai não vem referido com o cognome de “o moço” mas tem o apelido Esquível. No entanto o cura Madeira Nobre volta a fazer das suas. Primeiro sita o nome dos avós paternos erradamente trocando-os com os maternos mas corrige no corpo do texto. Quando chega a vez de referir o nome dos avós paternos dá como avó paterna Clemência dos Santos. Esta palavra está riscada e “Conceição” está escrito por cima o que, mais uma vez, corrobora a nossa teoria das duas mulheres de Manuel, avô paterno do neófito. Foram padrinhos Manuel Rodrigues Rascão e sua mulher Maria Teresa de Mendonça.



Pelo que se vê dos assentos casou mais de uma vez como era “costume”. Josefa da Cruz foi sua mulher de quem teve dois filhos cuja história seguiremos mais adiante. Manuel houve um terceiro filho Francisco de Sousa, natural de Loulé, de um segundo casamento com Joana de Jesus que o fez mudar a residência para essa vila. Esse Francisco casou com Maria Bárbara natural de Estoi. É possível que a mudança de Estoi para Loulé tenha a ver com o facto de ser um casamento tardio e algum desacordo com os filhos do primeiro casamento. Só assim se explica que tenha mudado deixando as suas propriedades aos primeiros filhos e provavelmente vindo a morrer naquela cidade, pois não consta o óbito em Estoi. Não cheguei a investigar esta linha descendente. Ficará para uma próxima oportunidade.

Josefa da Cruz, primeira mulher de Manuel, era filha de José Martins Palmeiro, natural de Pedrogo, Beja e de Isabel Viegas de Estoi e faleceu a 5 de Abril de 1825[2]. O assento é parco em informações como é habitual nestes casos. Só refere que morava em Estoi, que foi sepultada no dia seguinte, que fez testamento e que tomou os sacramentos pelo que a sua morte não foi repentina.

Antes de seguir com esta descendência quero referir as ligações familiares que estes membros da família Esquível partilham com outras famílias de Estoi com quem, repetidamente, se cruzam e relacionam.



Como se pode ver a família Martins através da família Martins Palmeiro junta-se à família Roiz Potra (ou Rodrigues Potra) por casamentos ao longo de três gerações. Antes de conseguir elaborar este gráfico, que resume toda esta informação, os nomes destas pessoas apareciam repetidamente nos assentos mas sem aparente ligação. Não ajudou o facto de as mulheres serem apenas, e na maioria dos casos, referidas sem apelidos. Mas o “caso” acabou sendo deslindado e este é o resultado final. Haverá mais interligações como a que se suspeita do assento de casamento de um José Martins Palmeiro[3] mas que deixo para outra oportunidade.

Manuel de Sousa Esquível e Josefa da Cruz tiveram um rapaz, Joaquim, com quem seguiremos adiante, mas em primeiro lugar refiro uma criança do sexo feminino, mais nova que Joaquim, a quem puseram o nome de Ana e que na confirmação tomou o nome de Ana do Carmo e que nasceu a 24 de Outubro de 1800 [4] sendo padrinho o capitão Manuel Freire e que casou a 1 de Dezembro de 1821 [5] com João Pedro de Brito, filho de Manuel Matias de Brito e de Leonor Maria.

Algumas das razões pelas quais deixamos de ver referências a estas pessoas são, entre outras, as calamidades que atingiam as populações indiscriminada e regularmente como a tuberculose, a cólera ou febre-amarela (1723, 1833, 1854-1857) ou a gripe espanhola que tomou o nome de influenza ou ainda a varicela ou o tifo (1847-1849) ou mesmo os tremores de terra (1732 em Loulé, 1734 Algarve, 1738 em Portimão, 1755, 1856 no Algarve) ou as secas (1793) e as revoltas ou tumultos (1808). Mais nada se soube desta descendência apesar de ser altamente provável que a tivessem tido.

Veremos, então o que se passa com Joaquim de Sousa Esquível.


[1] Estoi B-1763-69 imagem 73. Baptizado a 29 de mesmo mês e ano. [2] Estoi, O-1825-41 imagem 43. [3] Existe um assento de casamento em Estoi em 30 de Julho de 1817 entre um José Martins Palmeiro, solteiro n. do sítio do Azinhal, filho de Francisco Martins Palmeiro e neto de outro Francisco Martins Palmeiro. C-6-imagem 145. [4] Estoi, B-1800-117 imagem0183. [5] Estoi C-1821-25 imagem 27.


A descendência de
                 Joaquim de Sousa Esquível (Séc XIX)


Joaquim, filho de Manuel de Sousa Esquível e Josefa da Cruz, nasce a 3 de Julho de 1795[1] e foi baptizado aos 10 do dito mês e ano sendo padrinhos o prior Manuel Madeira Nobre e Dona Antónia Rita, solteira, filha do Governador Joaquim Gomes Moreira de Barbuda, natural de Lagos. Desconheço as razões para a proeminência da escolha da madrinha mas, com certeza, alguma relevância teriam os pais para que tal acontecesse[2]. Neste assento o avô José é referido sem o apelido Esquível. Joaquim faleceu a 30 de Outubro de 1866, com 75 anos de idade (o assento está errado, pois tinha 71 anos!) depois de uma vida familiar complicada sobrecarregada com a morte de quase toda a sua família.


Casou com 31 anos, já falecida sua mãe, a 11 de Janeiro de 1826[3] – no ano em que Sua Majestade o Rei D. João VI morre –, com Maria do Carmo filha de Manuel Simões e Ana Teixeira[4]

Entretanto, o início da sua vida de casado sobrepõe-se aos conflitos sociais decorrentes das questões dinásticas nacionais entre os legitimistas e os liberais ou constitucionalistas tendo Joaquim de Sousa Esquível alinhado pelos conservadores que apoiavam as justificações de D. Miguel ao trono e que, para tal, subscreveu e assinou uma Representação datada de 8 de Maio de 1832 e registada no Livro das Vereações da Câmara de Faro, fls 178 verso até à 184 na qual se lhe declara a seu incondicional apoio, conforme vem registado na Gazeta de Lisboa de 17 de Junho do dito ano, p. 710-711. (Consulte o documento reproduzido na Gazeta de Lisboa, aqui,)  

De Maria do Carmo há constância de 5 filhos infelizmente todos falecidos antes de 1863. Foi uma sucessão de tentativas de deixar descendência que se viu gorada até ao último dos filhos. A que se presume mais velha, Maria Bárbara, nasce cerca de 1829 e morre solteira a 15 de Janeiro de 1862 com 33 anos às quatro horas da tarde na residência de seus pais na Rua Nova em Estoi sendo sepultada no cemitério da aldeia. Nada se diz sobre se recebeu os sacramentos. Seguem-se três óbitos de párvulos – crianças – Ana a 2 de Setembro de 1831[5], José,primeiro do nome, a 1 de Setembro de 1836[6], e de outro José, segundo do nome, a 27 de Novembro de 1839[7], todos encomendados e levados ao cemitério de Estoi. Por fim o último dos filhos, um terceiro José Pedro, também falecido na casa da Rua Nova às quatro da manhã de dia 5 de Janeiro de 1860[8] com 18 anos de idade. Desta vez o prior, Francisco António da Pureza, informa que lhe foram administrados os sacramentos da igreja católica.



Com o passar dos anos Joaquim, proprietário, fica viúvo acabando assim por morrer toda a família. A 4 de Novembro de 1863[9], com 69 anos de idade, resolve tomar estado outra vez voltando a casar na tentativa de gerar descendência. Fá-lo com Maria do Nascimento, de 35 anos de idade, nascida a 25 de Dezembro de 1828[10], daí o nome que lhe deram, solteira, residente no sítio do Peral e natural da aldeia, filha legítima de Jerónimo Pereira e de Ana de Jesus. Testemunhas deste casamento foram os proprietários Francisco de Paula de Mendonça e Cristóvão Martins de Andrade. Curiosamente Joaquim assina o assento com as testemunhas. Aqui está!

Um ano e nove meses depois do casamento Maria do Nascimento dá à luz um rapaz que é baptizado na matriz de Estoi pelo reverendo padre António Fernandes da Cruz David. É essa a razão pela qual o nome final com que ficou foi António Esquível David. Felizmente esse apelido não foi repetido nas gerações seguintes mas, por outro lado, perdeu-se definitivamente o Sousa. É possível que algo de semelhante possa ter acontecido no início da história da família. Quem sabe! Vamos seguir a história deste nosso António depois de falar de seu irmão Joaquim e sua meia irmã Maria do Nascimento Rosa.


Joaquim consegue voltar a engravidar Maria do Nascimento mas quando ela está grávida de cinco meses, morre conforme se disse acima, a 30 de Outubro de 1866[11]. Não chegou a ver o nascimento do segundo filho que tomaria o nome de Joaquim de Sousa Esquível (Jr), presumivelmente em honra do pai. Ainda assim conseguiu garantir a descendência.


Entretanto Maria do Nascimento fica viúva, com quase 38 anos, com uma criança e um bebé recém-nascido. Apesar de inesperada esta situação deve ter sido previsível. As perspectivas, aparentemente são boas. Herdeira, fértil, com a sua própria casa, terras e outros bens. Assim teve a oportunidade de escolher entre os seus vizinhos mais acomodados. Assim o fez na pessoa de João Rodrigues Rosa, seis anos mais novo que ela. E porque não? Celebrou-se o casamento a 24 de Julho de 1867[12]. Ele com 33 anos, solteiro, trabalhador, natural de São Brás de Alportel e filho de José Pedro e Maria Rosa.


Deste segundo casamento de Maria do Nascimento houve uma única filha, também Maria do Nascimento Rosa, nascida a12 de Maio de 1869[13] e que casou com António Fernandes Rodrigues a 7 de Junho de 1895[14] com numerosa descendência quer em Estoi, quer no resto do Algarve e Lisboa assim como na Argentina para onde emigraram alguns dos filhos. A primeira dos cinco filhos, Maria Rosa, nasceu seis meses depois do casamento. Seguiram-se com intervalo de dois anos António, Tomásia, João e Francisco. Todos estes cinco são primos irmãos do quarteto José, António, João e Teófilo Esquível filhos de António Esquível David e Rita da Conceição Pires de Mendonça de quem falaremos adiante.


Deixamos para trás este ramo e passamos a falar do recém-nascido Joaquim (o júnior) que tomou o nome do pai mas que nasceu órfão. Que sabemos sobre ele? Depois de inúmeros pedidos, contactos e cartas nos últimos 15 anos (imagine-se!) para a Argentina, depois de algumas conversas telefónicas, visitas a Estoi, o que consegui apurar resume-se num par de linhas. Casou com uma portuguesa, Isabel Rodrigues[15], nascida em Buenos Aires mas filha de António Rodrigues, natural de Caminha, Portugal e de Victoriana Vázquez, natural de El Ferrol, Galiza, Espanha. Fica em dúvida se, de facto, casou uma segunda vez com uma mulher de língua espanhola, presumivelmente de nacionalidade argentina. Teve descendência. Em 1900 estava em Faro pois foi passada procuração a ele e à mulher para representarem os padrinhos de seu sobrinho Teófilo onde assinam o assento[16]. Nesse ano nasceu em Portugal o único filho sobrevivente.



Quando a sua mãe, Maria do Nascimento (Pereira), morreu em Estoi a 11 de Julho de 1904[17], Joaquim voltou ao Algarve e visitou Estoi em 1930, presumivelmente para finalizar a herança. Consegui apurar, mas sem confirmação alguma, que a sua ida para Argentina foi feita na companhia e sugerida por seu cunhado e alguns dos seus sobrinhos. Ainda consegui falar, há muitos anos atrás, com uma anciã que tomava o sol no largo da igreja e que me confirmou precisamente isso: a visita espalhafatosa do emigrado Joaquim e a sua belíssima mulher sul‑americana. Um descendente de Rodrigues Rosa confirmou essa informação. 

Em 2021 chegou-nos a informação de um processo existente no Arquivo Distrital de Faro (Ref. D2.2-E107-P2) referente à venda dos bens existentes em Estoi que ficaram por morte de Joaquim de Souza Esquível (irmão de António Esquível David), ocorrida em 19 Abril de 1927 em San Fernando, subúrbios de Buenos Aires, na Argentina. O processo inclui uma procuração dos três herdeiros desse Joaquim de Souza Esquível a António de Paula Brito, residente em Estoi, que são referidos como:

1) Joaquim de Sousa Esquível, nascido em Estoi a 8 de Novembro de 1900 mas que que na data da procuração (1929) era solteiro e que casou entre 1930 e 1933 em Buenos Aires com Ramona Rosa Albors batizada a 12 de Agosto de 1907, em Curuzú Cuatiá, Corrientes, Argentina. Foram pais de três filhos, o mais velho (1.A) Francisco José de Souza Esquível, nascido em San Fernando, Buenos Aires a 4 de Outubro de 1937, casado em Buenos Aires a 4 de Junho de 1971 com dois filhos que vivem atualmente (2021) na Austrália, o mais velho nascido ainda em San Fernando, Buenos Aires, Argentina em 1973 e o mais novo já nascido na Austrália, com descendência de ambos; (1.B) Thiago de Souza Esquível; (1.C) Joaquim de Souza Esquível, destes dois últimos não há notícia nesta data (Ago 2021).

2) Maria Esther de Souza Esquível, natural da Argentina, que em 1929 era maior e professora, provavelmente mais velha que seu irmão Joaquim, (s.m.n Ago 2021).

3) Encarnação de Souza Esquível, natural da Argentina, que em 1929 era doméstica e casada com Manuel Mendes, português, e que viviam em Lanús, subúrbios de Buenos Aires, provavelmente mais velha que o irmão Joaquim, (s.m.n. Ago 2021).


Como nota interessante, há pouco tempo tropecei, por acaso, no seguinte edital:


À parte do nome de Isabel vir erradamente referido com o apelido Reis, provavelmente por erro de leitura da abreviatura Roiz, vê-se que, pelo cruzamento de nomes, pode conjecturar-se que Joaquim foi herdeiro de uma irmã de sua mãe ou ainda de uma tia-avó irmã do pai, menos provável mas possível. O que também se conclui é que já ninguém sabia deles 7 anos depois da sua última vinda a Portugal – a razão deste edital. Afinal, hoje, já passaram mais de 100 anos! Seguimos com o primogénito António de Esquível David.



[1] Estoi, B-1795-90v imagem 101. [2] D. Antónia Rita de Ataíde era casada com Manuel José Freire, vizinhos de Estoi. Os sogros, capitão Manuel Freire e D. Maria Teresa, são dados como de Estoi também. O Governador, Major, e sua mulher, D. Ana Matilde Teresa de Ataíde moravam em Lagos. Ana Rita e Manuel José foram pais de uma Antónia nascida a 17 de Junho de 1798 em Estoi, B-1798-142v imagem 147. [3] Estoi, C-1826-48v. imagem 51. Foram testemunhas Lourenço António Correia, de Estoi e Francisco de Assis Lázaro Figueiredo, morador em Faro. [4] Estoi, B-1798-139v. imagem 144. Nasceu a 10 de Abril de 1798 e foi baptizada a 17 do mesmo mês e ano, sendo padrinhos José Nunes o Gato, do povo de Estoi e tocou com a coroa de N.ª Sr.ª do Rosário o Rev. Padre coadjutor André Gonçalves de Sousa. Era neta paterna de Amaro Simões e Francisca Maria e materna de António Viegas e Maria Pereira todos de Estoi. Teve um irmão mais velho, Manuel, nascido a 25 de Maio de 1796 e baptizado a 2 de Junho do mesmo ano sendo padrinhos o prior de Estoi e D. Antónia Rita filha do governador de Albufeira Joaquim Gomes Moreira (de Barbuda), Estoi B-1796-114v. imagem 117. [5] Estoi O-1831-77v imagem 80. [6] Estoi O-1836-121 imagem 123. [7] Estoi O-1839-na imagem 144. [8] Estoi O-1860- 1v assento n.º 1. [9] Estoi C-1863-10v/11. [10] Estoi B-1828-101v imagem 108. Neta paterna de Manuel Viegas Pereira e Iria Gonçalves de São Brás de Alportel e neta materna de José Viegas Pimenta e Maria de Sousa, do Peral. Foi baptizada a 31 do mesmo mês e ano sendo padrinho o avô paterno. [11] Estoi O-1866-8v imagem 10. [12] Estoi C-1867-5v/6. Foram testemunhas Francisco de Paula Brito e Manuel Pereira, pai da noiva e ambos proprietários. [13] Estoi B-1869-12v/13. No assento de nascimento de Maria, João Rodrigues Rosa já é referido como proprietário. Foram padrinhos José de Mendonça e sua mulher Maria Joaquina, do sítio da Alcaria Branca da freguesia de Estoi. [14] Estoi C-1895-5. [15] Na assinatura de Isabel pode eventualmente notar-se uma falta de firmeza característica de quem só sabe assinar o nome. Além do mais, o apelido Rodrigues pode ser que termine em “z” sendo isso indicador de nacionalidade. [16] Faro, São Pedro, B-1900-23e23v registo n.º 52 imagem 52. [17] Estoi O-1904-181v imagem 49.



     António Esquível David





António Esquível David, filho de Joaquim de Sousa Esquível e Maria do Nascimento, nasceu a 22 de Agosto de 1865[1] e foi baptizado a 31 do mesmo dia e mês. A filiação escrita em nada contraria a informação recolhida até aqui, mas adianta que António é o primeiro do nome o que nos diz que do primeiro casamento de Joaquim com Maria do Carmo não houve nenhum com esse nome. Acrescenta que o padrinho foi o reverendo padre António Fernandes da Cruz David, reitor encomendado da sé de Faro e tocou com a coroa de Nossa Senhora, Vicente Baptista Pires, casado, proprietário. A necessidade imperiosa e desesperada de ter um descendente deve ter levado Joaquim a solicitar a intercedência especial do reitor e com ele trazer bênçãos tão importantes quanto a hierarquia do padrinho faria prever. O que é um facto é que funcionou! Como o seu pai faleceu pouco mais de um ano depois, sua mãe deverá ter feito a opção de, no crisma, António já púbere, dar-lhe o nome completo por que ficou conhecido. De seguida a sua assinatura no assento de baptismo de seu sobrinho António filho de sua irmã:

Da juventude de António pouco se sabe até se ter incorporado no serviço militar[2]. Essa escolha só poderá ter sido feita uma vez que, em seu nome, deveria haver bens em suficiência que lhe permitisse fazer a incorporação na escola de cadetes. Poderemos seguir a sua carreira militar através dos registos militares[3] que nos dizem que foi cadete do Regimento de Caçadores e foi promovido a alferes[4] a 30 de Dezembro de 1893, tenente e posteriormente capitão a 3 de Março de 1907, em cujo posto fez uma palestra durante o Torneio Nacional de Tiro de 1912, em Coimbra sobre “as vantagens da instrução de tiro para que todo o cidadão possa defender a sua Pátria nos momentos de perigo[5]; major[6] a 19 de Dezembro de 1914, pediu a transferência do regimento de infantaria 35 para o regimento de infantaria 23, ambos em Coimbra[7]; tenente coronel do Estado Maior de Infantaria e por fim coronel a 22 de Fevereiro de 1922. Foi reformado aos 57 anos de idade. Foi galardoado com a medalha militar de prata e a medalha militar de ouro de primeira classe; foi feito cavaleiro da Ordem de Avis a 1 de Janeiro de 1904 e Comendador[8] da mesma ordem a 5 de Outubro de 1921.

Em consequência da sua carreira militar viveu com a família nos postos e correspondentes localidades para que foi nomeado entre outras em Coimbra[9] e maioritariamente no Algarve. Assim, pouco depois de ser promovido a oficial, tomou estado, casando na Sé de Faro a 19 de Março de 1892[10] com Rita da Conceição Pires de Mendonça – de cuja família foi feito estudo em separado – da sua mesma idade e natural de Santa Bárbara de Nexe.
Deste casamento nasceram José Esquível, António Esquível, João Esquível e Teófilo Esquível de quem falaremos de seguida por ordem de nascimento e com a respectiva descendência.
António Esquível David faleceu a 31 de Outubro de 1944 em Faro. Rita faleceu com 77 anos, também em Faro, a 15 de Janeiro de 1946 dois anos depois do seu marido.



[1] Estoi B-1865-22v23 Imagem 24. [2] PT/AHM/DIV/3/07/2659/1. http://arqhist.exercito.pt/details?id=77783. [3] PT/AHM/G/LM/A/23/03/0162 http://arqhist.exercito.pt/germil/details?id=16282. [4] PT/AHM/G/LM/B/01/50/0092. http://arqhist.exercito.pt/germil/details?id=152809. [5] Gazeta de Coimbra de 23 de Outubro de 1912. Nesse mesmo torneio o seu filho António Esquível ficou em 7.º lugar do 2.º, 3.º, e 4.º grupos. [6] PT/AHM/G/LM/A-02/32/3388. http://arqhist.exercito.pt/germil/details?id=75433. [7] Ordem do Exército n.º 2, 2.ª série, (1926), p 35. [8] PT/PR/AHPR/CH/CH0101/CH010103/D23670 http://arquivo.presidencia.pt/details?id=41523. [9] Gazeta Militar de Coimbra, 26 de Junho de 1915, “Notícias Militares”: Está n esta cidade no gozo de licença disciplinar, o major de Infantaria 12 sr. António Esquível David. [10] Faro, Sé, C-1982-6/6v; Registo n.º 7, imagens 17 e 12 respectivamente. Foram padrinhos o Dr. Abílio da Cunha, reitor do liceu de Faro e António Joaquim da Rosa, secretário da administração do concelho.



Os filhos de António Esquível David e respectiva descendência (Séc. XX e XXI)

Da esq. para a dt.ª, João, José, Alferes António, António, Teófilo e Rita Mendonça Pires mãe dos quatro rapazes. (Data estimada da foto 1907)



Todos os quatro filhos já falecerem mas o mesmo não aconteceu com a totalidade da geração imediata. Optei por sintetizar a informação colocando para cada um, e quando exista, o link da página do Facebook dos membros das últimas gerações. Caso alguém queira contribuir com informação adicional para as biografias destes nossos avós agradeço de antemão os contributos. Assim todos podemos partilhar a informação. 


             
             José Esquível
                                    António Esquível
                                                          João Esquível
                                                                          Teófilo Esquível


Clic em cada um dos nomes para aceder a um ficheiro PDF com a história e descendência de cada uma dos quatro filhos.



4 comentários:

  1. Olá! Aqui José António de Paula Brito, neto da prima Maria Rosa, que morreu em 1944.
    Ontem à noite estive com a prima e amiga Marta Esquível, Estando ela no Algarve, veio dar uma volta comigo pelas ruas da nossa aldeia-berço, vendo nomeadamente o que resta da casa onde nasceu e viveu Joaquim Sousa Esquível, localizada na Rua do Pé da Cruz. Na sequência das nossas conversas sobre a familia procurei informação na NET e encontrei este vosso site, com bastante informação, muita da qual eu conhecia de cabeça.
    Conheci bem, porque a frequentei em miúdo, a casa original da família. Era então a casa da tia Tomásia, irmã da minha avó Rosa, e do seu marido João de Sousa Teixeira, filho de uma irmã do Cónego João Bernardo de Sousa, oriundos de uma família tradicional da mesma rua, duma casa localizada a 100 metros desta, junto da Igreja do Pé da Cruz. Trata-se de uma pequena igreja construida em 1600, dotada de bonitos azulejos setecentistas e possuidora de uma Pietá, que é imagem mais valiosa das igrejas de Estoi. No dia 2 de Maio de cada ano continua a realizar a famosa "Festa da Pinha", relacionada de acordo com a tradição oral a um milagre ocorrido pela invocação da Senhora, uma romaria equestre, que constitui a mais relevante festa tradicional do Algarve, que traz a Estoi milhares de visitantes para a ver.
    Mas ia eu dizer, em relação às minhas memórias da casa com os tios Tomásia e João. Nos dias de matança de porco, como era tradição ancestral, os tios recebiam toda a família para almoço ou jantar, com a culinária própria desses dias, à base de carne de porco claro. Nessa refeição, nessa casa, em 1960, comia-se ainda nos velhos pratos de "louça Inglesa".
    Era uma casa típica de agricultor do meio rural do Algarve, localizada dentro de um aglomerado urbano, com a parte habitacional, mas também com a parte utilitária, ou seja arrecadações de alfaias e utensílios agrícolas, armazéns de produções agrícolas, potes de azeite e azeitona de conserva, arcas de carne de porco conservada em sal, e um logradouro com estábulo para mula, com sobrado para a palha, pocilga para o porco, galinheiro, estrumeira, alpendre para abrigar a carroça e canteiros para ervas aromáticas, uma árvore de "Bela-Luísa" e alegretes para as flores. Sendo uma casa antiga, que cremos anterior ao terramoto de 1755, a sua entrada não era constituída por um corredor, mas sim pela "Casa de Fora". Esta, funcionava um pouco como uma sala de visitas, pois lembro-me que não faltava lá o canapé chamado de cajado, com assento de palhinha. À esquerda e à direita tinha dois pequenos quartos de dormir e ao fundo tinha a grande cozinha, a partir da qual se acedia a outro quarto e ao grande quintal e zona utilitária. Após a morte dos tios, que tenho ideia ocorreu na década de setenta, a casa, tal como os outros bens (terras) foram divididos por parte dos sobrinhos de um lado e de outro do casal, que acabaram por vendê-la. Uns emigrantes adquiriram a casa, derrubaram a maior parte de mesma e fizeram um mamarracho de dois pisos, sem qualquer sentido estético, que não interliga bem nem com o resto da casa antiga casa, nem com a vizinha e bonita casa da família Corvo, construída cerca de 1915. Tenho pena que isso tenha acontecido, pois perderam-se memórias familiares e culturais e criou-se um descontinuo inestético na bonita rua do Pé da Cruz.
    Para terminar, direi que mostrei ontem à Marta uma fotografia datada de 1934 com os alunos da escola paga (pré-escolar) da minha mãe, onde está presente um miudo da família Esquível, que a minha mãe sabe exactamente o nome, sabe apenas que era um neto do Coronel Esquível, que viveu nessa época durante um ano, com a família, em casa do avô na Travessa Esquível e que a Marta acha que é o pai dela. Se alguém tiver interesse diga pois posso digitalizar e enviar por mail. (familiapaulabrito@sapo.pt).
    Cumprimentos para todos e estarei sempre pela aldeia para vos receber com prazer.
    Zé António

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    1. Boa noite. Desculpe incomodar. Estou a tentar saber a data do falecimento do Dr. Teófilo Esquível, uma eterna glória da nossa Académica de Coimbra. Jogador e treinador. O melhor do seu tempo na nossa Briosa. Obrigado. Manuel Marques Inácio (marques.inacio@gmail.com)

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  2. Já respondi há dois dias há pergunta sobre qual o interesse nessa figura enorme do futebol da nossa Académica, o Dr. Teófilo Esquível. Pode ajudar então sff? Julgo que terá falecido em Braga, mas não sei em que data. Yenho urgencia, face ao trabalho em curso. Obrigado. M M Inácio.

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  3. Obrigado. Já tenho os dados sobre o Dr. Teófilo Esquivel, o melhor jogador da Académica de Coimbra, nos primeiro anos da década de 20 do século passado. Foi o único jogador que chegou a ser também treinador, ainda estudante. MMI

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